Chapter VIII: The Indeclinables (2)
=o convite=, invitation =o jogo=, game =o prazer=, pleasure =o sol=, sun =o vulcão=, volcano =a facada=, knife cut =a machina=, machine =a palha=, straw =a roupa=, clothes =a telha=, tile =limpo=, clean =quatro=, four =torto=, crooked
=acceitar=, to accept =accender=, to set fire, light =enxugar=, to dry =frigir=, to fry =ganhar=, to gain =imprimir=, to print =limpar=, to clean =matar=, to kill =pagar=, to pay =soltar=, to loose =torcer=, to twist
1. Este é um negocio torto. 2. As ruas desta cidade estão bem limpas. 3. As ruas são limpas por uma machina de quatro rodas. 4. O convite foi acceito com muito prazer. 5. A roupa foi logo enxugada no sol. 6. O dinheiro foi ganho no jogo. 7. O soldado foi morto por uma facada. 8. A conta ja está paga. 9. Os cavallos forão soltos pelo camarada. 10. O livro foi impresso no Rio de Janeiro. 11. Mande trazer uns ovos fritos. 12. A nova edição dos Lusiadas foi correcta e dada a luz por Paulino de Souza no anno mil oito centos e setenta e tres. 13. O relogio tinha dado onze pancadas.
1. Is the house covered with straw or with tiles? 2. Do you like eggs fried? 3. This book was printed in Lisbon. 4. He was elected federal deputy two years ago. 5. I was arrested in a village of Alagoas. 6. The money was spent. 7. The candle is lit; the account is paid.
XXVI
DEFECTIVE VERBS; SUBJECTS OF VERBS
(See § 119, page 91)
+Vocabulary+
=o algodão=, cotton =o animal=, animal =o patriota=, patriot =a felicidade=, happiness =a cabra=, goat =a perspectiva=, prospect =a secca=, drought =as trevas= (_pl. only_), darkness =mortal=, _pl._ =mortaes=, mortal
=chegar=, to arrive =marcar=, to mark, set =jazer=, to lie (down) =planter=, to plant =poder=, to be able, can =prazer=, to please =tratar=, to care for
=apenas=, merely =denso -a=, dense =outro=, other =quão=, how =se=, if (_sometimes written_ =si=)
1. Nem homem, nem boi, nem cabra pode aguentar a secca. 2. Tratar animaes, e plantar algodão é o forte deste homem. 3. Chegou um e outro. 4. Se a luz que ha em ti são trevas, quão densas são as trevas. 5. Um e outro chegou no dia marcado. 6. Aqui jazem os restos mortaes de um patriota. 7. Praz a Deus. 8. Aqui jaz o corpo apenas do Marquez de Maricá. 9. Tanto a vida como a morte offereciam uma perspectiva de felicidade. 10. Bem diverso era Rosas. As suas paixões flammejavam á luz do sol no pampa vasto. Accessivel, ardente, emprehendedor, cubiçoso de estima, sua influencia começou a se fundar pela energia da sua iniciativa e pelo brilho das suas acções. 11. So restava para o camareiro o morrer, e para sua senhoria o ir deitar-se. 12. Deus perdôe a quem me torceu a vocação. 13. Ir a pé não me convem.
XXVII
IMPERSONAL VERBS
(See § 121, pages 93-94)
+Vocabulary+
=o bacalháu=, codfish =o queijo=, cheese =o sal=, salt =a libra=, pound =a pimenta=, pepper
=bastar=, to suffice
=esterlina=, sterling =fora=, outside =frio -a=, cold
1. Fez frio esta noite. 2. Anoitece; chove; troveja. 3. Ha quem sabe (_or_ saiba). 4. Não ha remedio. 5. Seja como for. 6. Pode ser que haja. 7. Não faz mal. 8. Acconteceu que choveu naquelle dia. 9. Não convem fazer isto; não me convem. 10. Não me importa. 11. Parece que não vale a pena. 12. É facil saber se é verdade. 13. Faz muito calor aqui ao sol. 14. Parece me que é melhor ficar aqui. 15. Quem me dera que fosse assim. 16. Não chega a ter vinte libras esterlinas. 17. Basta um pouco de bacalháu, uns ovos fritos, sal, pimenta e queijo. 18. Não ha leite para o café. 19. Custa a crer que não haja vinho; esta agua não chega.
1. They say that it is cold outside there. 2. It is raining and blowing. 3. No matter, let us go take a walk. 4. It is a week to-day since I had a walk. 5. It is not necessary. 6. It is easy to travel by steamer. 7. There is no help for it. 8. There is no doubt about it. 9. It is not worth while. 10. It rained all night. 11. It is very hot here in the sun. 12. No matter; there is no help for it. 13. That will do. 14. They say it is raining, but I do not care.
XXVIII
OBJECTS OF VERBS; SPECIAL USES
(See § 123-124, pages 96-98)
+Vocabulary+
=o calor=, heat =o cavallo=, horse =o ladrão=, thief =o lobo=, the wolf =o negociante=, merchant =o peixe=, fish =o poeta=, poet =o tributo=, tribute =a admiração=, admiration =a historia=, story =a patria=, native land =a rã=, frog
=amar=, to love =cobrir=, to cover =contar=, to tell, recount =enfraquecer=, to grow weak =engolir=, to swallow =jantar=, to dine =pegar=, to catch =pintar=, to paint =principiar=, to begin =sentir=, to feel =assim=, thus, so =realmente=, genuinely
1. Um ladrão matou ao negociante. 2. O peixe engoliu a rã; á rã engoliu o peixe; ao peixe engoliu a rã. 3. Elle principiou a falar. 4. Pegáram me o chapeo. 5. Principiou a cantar. 6. Acabei de jantar. 7. Aquelle moço anda a contar historias. 8. O dono mandou pegar os cavallos. 9. A casa está coberta de telhas e pintada de branco. 10. Sintome enfraquecido pelo calor. 11. Assim cada portuguez que ama realmente a sua patria deve um tributo de reconhecimento e de admiração ao poeta. 12. Uma febre violenta o sustentava. 13. Judas abraçou a Christo, mas outros o prenderam. 14. A guerra que declaramos aos outros nos gasta e consome a nós mesmos.
1. John visited Sr. Rabello and his wife. 2. The dog followed the wolf; the wolf followed the dog. 3. When did you begin to speak Portuguese? 4. Pedro saw a tiger leave the woods.
XXIX
PERIPHRASTIC VERB-PHRASES
(See § 125, pages 98-99)
+Vocabulary+
=o barulho=, noise =o dinheiro=, money =o martello=, hammer =o mato=, forest =o medico=, physician =o tempo=, time
=a arma=, (fire)arm =a cruzada=, crusade =a legua=, league
=accordar=, to wake =arrojar=, to drag =buscar=, to fetch =corrigir=, to correct =fazer=, to do, make =gastar=, to spend =ler=, to read =mandar=, to order =perder=, to lose =soffrer=, to suffer =cuidadosamente=, carefully
1. Tenho andado uma legua a pé. 2. Elle tem feito tudo o possivel. 3. Elle tem soffrido. 4. Mande buscar um martello. 5. É de crer que o tempo ha de mudar-se. 6. O nosso tio andou perdido no matto. 7. A conta foi paga pelo medico. 8. O nosso dinheiro foi gasto na viagem. 9. Vamos chegando. 10. Fica sabendo que a coisa ja está feita. 11. A primeira cruzada tinha arrojado para a Syria cem mil homens d’armas. 12. O poema foi lido e cuidadosamente corrigido seis vezes. 13. Deus tinha contado os seus dias. 14. A lingua tupi foi modernamente estudada por Baptista Caetano.
1. I have been impressed by his book. 2. He was awakened by the noise. 3. We ordered the horses brought. 4. Our friend is still speaking. 5. Where did you leave your hat? 6. I have left it on a chair on deck. 7. I am doing what they ordered. 8. I know that I shall not go there to-day.
XXX
REFLEXIVE VERBS
(See § 126, pages 99-100)
+Vocabulary+
=o bilhete=, ticket =o devedor=, debtor =o engenheiro=, engineer =o favor=, favor =o principe=, prince =o supplicante=, petitioner =a dôr=, pain =a rua=, street =incommodado=, put out =abrir=, to open =alugar=, to rent =calar=, to hush =chamar=, to call =comprar=, to buy =decidir=, to decide =deitar=, to lie down =despedir=, to take leave =morrer=, to die =queixar=, to complain =retirar=, to retire
1. Elle está se queixando. 2. Cala-te, menino. 3. Vou despedir-me de meus amigos. 4. Vá-se embora; vá se deitar. 5. Parece-me que é melhor retirar-se. 6. Depois elle arrependeu-se. 7. A casa queimou-se. 8. Aluga-se uma casa nesta rua. 9. Achou-se muito incommodado com este negocio. 10. Não se sabe donde vem. 11. A porta abriu-se, e o principe appareceu. 12. Como se chama este cachorro? 13. Eu me chamo José. 14. Os bilhetes compram-se nesta casa. 15. Decidiu-se o caso a favor do supplicante. 16. Elles morreram acreditando-se os devedores. 17. Podem se resumir em poucas palavras as medidas propostas pelo sr. engenheiro. 18. As viagens em boa companhia fazem-se rapidamente.
1. Go away and do not return again. 2. The case cannot be decided to-day. 3. A horse was bought. 4. It is not known where he lives. 5. Know that it is I who am speaking. 6. I ordered breakfast prepared, and immediately afterwards we left. 7. You may retire; I want to take my leave of the prince.
XXXI
IMPERATIVE, SUBJUNCTIVE, INDICATIVE, AND PERSONAL INFINITIVE
(See § 127-133, pages 100-102)
+Vocabulary+
=o caipira=, backwoodsman =o zelo=, zeal =a chuva=, rain =a duvida=, doubt =a esperança=, hope =Deus=, God =amanhã=, to-morrow =ca=, here =depressa=, quickly =embora=, away =dialogar=, to converse =permittir=, to permit =proteger=, to protect =pugnar=, to fight =trazer=, to fetch =vir=, to come =voltar=, to return =nenhum -uma=, no, none =prompto= _or_ =pronto=, ready =talvez=, perhaps
1. Não fale tão alto. 2. Traze o meu chapeo depressa. 3. Não deve andar na chuva sem guarda-chuva. 4. Va buscar o livro. 5. Venha ca, meu filho. 6. Va-se embora. 7. Dize-lhe que não venha sinão amanhã. 8. Quem sabe si elle vai ou si não vai. 9. Elle vai; não ha duvida nenhuma. 10. Talvez esteja aqui. 11. Ficamos contentes por acharmos tudo prompto. 12. «Não permitta Deus que eu morra sem que eu volte para lá.» 13. Julio oviu dois caipiras dialogarem sob a janella do seu quarto.
1. Don’t say that. 2. Fetch me a glass of water. 3. Go fetch my hat. 4. Who knows where it is? 5. Perhaps it is in the dining-room. 6. I don’t know whether I shall ever come back again. 7. No one knows better than I do. 8. Let’s go.
XXXII
ADVERBS
(See § 134-135, pages 103-107)
+Vocabulary+
=a bondade=, kindness =a palavra=, word =adiar=, to postpone =adoecer=, to become ill =possuir=, to possess =trovejar=, to thunder
=baixo=, low =depois=, afterward =donde=, whence =logo=, at once =onde=, where =positivo=, positive =senão=, except
1. De vez em quando vi uma luz, mas só de longe. 2. D’aqui a pouco vou me embora. 3. Logo depois partiu a cavallo. 4. Não ha quem possa aguentar essa viagem. 5. Sim, senhor, creio que sim; não ha duvida. 6. Elle não diz senão poucas palavras. 7. Tenha a bondade de falar mais baixo. 8. Antes de partir elle adoeceu, de modo que foi preciso adiar a viagem uns vinte dias, mais ou menos. 9. Trovejou de vez em quando. 10. Venha cá, João; deixe o chapeo ahi na mesa. 11. Donde vem e para onde vai. 12. Não possuo no em tanto dado algum positivo a este respeito. 13. O chão que pisas, a cada instante te offerece a cova. Pisemos de vagar. 14. Conheço-o por dentro e por fora. 15. O cavalleiro caiu de chofre na realidade.
1. He arrived in the night. 2. I never saw and I never hope to see such an animal. 3. I know neither the one nor the other. 4. You speak much better than he. 5. Please speak lower; please speak louder. 6. Severino made a trip around Brazil. 7. There is neither bread nor water. 8. Nowadays it is better to buy cheap and sell dear.
XXXIII
NEGATION AND INTERROGATION
(See § 136-138, pages 107-108)
+Vocabulary+
=o ferro=, iron =o lapis=, pencil =o negocio=, business =o senador=, senator =o trem=, train =o volume=, volume =a bibliotheca=, library =a botina=, boot =a estrada=, road =a população=, population =a estrada de ferro=, railway
=calçar=, to put on (_shoes, socks, etc._) =crer=, to believe =conhecer=, to be acquainted with
=comprido=, long =nacional=, national =pois não=, certainly
1. Não posso calçar esta botina. 2. Nem um nem outro chegou neste trem. 3. Nunca vi aquelle senador. 4. Queira ter a bondade de passar o pão. 5. Pois não. 6. Não tenho nada com este negocio. 7. Não vou la mais não. 8. Não conheço nem um nem outro. 9. Não lhe disse quasi nada. 10. Não sei não, senhor. 11. Qual é a estrada de ferro mais comprida do Brasil? 12. A informação é que não mata a honra de ninguem. 13. Elle não diz sinão poucas palavras. 14. Não vivo sinão para ti. 15. Que é isso? 16. Não tem nada; não ha novidade. 17. Qual delles é o melhor?
1. Whose pencil is this? 2. I don’t know; I am not acquainted with any one here. 3. I know nothing about this business. 4. What is the population of Pernambuco? 5. Nobody knows. 6. I never was there; I never saw the place. 7. Which is the largest and most important city in the country? 8. Is this your book? 9. No, sir, it is not. 10. Where is it then? I do not know.
XXXIV
PREPOSITIONS AND CONJUNCTIONS
(See § 139-145, pages 108-114)
+Vocabulary+
=o deputado=, deputy =o meio=, middle =o pai=, father =os pais=, parents =a baroneza=, baroness =a bota=, boot =a camada=, layer, bed =a carta=, letter =a confiança=, confidence =a educação=, education =a mica=, mica =a povoação=, village =a região=, region =a rocha=, rock =a seda=, silk =disseminar=, to scatter =viajar=, to travel =apezar=, in spite of =capaz=, capable, likely =digno=, worthy =povoado=, peopled (_pp. of_ =povoar=) =responsavel=, responsible
1. O deputado é homem digno de toda a confiança, mas está doente de uma febre. 2. A serra fica umas vinte leguas distante da villa. 3. É facil de ver que aquelle cavallo que é cego de um olho é capaz de morrer no meio do caminho. 4. A baroneza estava vestida de seda preta. 5. D’aqui a um pouco estamos lá. 6. Não posso ser responsavel pela educação de seu filho. 7. Aquella região é povoada pelos indios bravos. 8. Tenho noticias delle de vez em quando. 9. Estou muito cansado de maneira que não devo viajar hoje. 10. Depois que escrevi a carta, montei a cavallo e fui á villa apesar de estar muito doente. 11. A povoação fica distante d’aqui umas vinte duas leguas ou mais.
1. It is easy to see that he is likely to run away. 2. He is at present busy with writing letters. 3. This young man is still dependent upon his parents. 4. He is likely to die of hunger.
XXXV
ABBREVIATIONS
(See § 147, pages 115-116)
+Vocabulary+
=o barão=, baron =o bispo=, bishop =o collega=, colleague =o cardeal=, cardinal =o collarinho=, collar =o criado=, servant =o director=, director =o papa=, pope =o par=, pair =o sentido=, sense, meaning =as calças=, trousers =a camisa=, shirt =a companhia=, company =a excellencia=, excellency =a meia=, stocking (_abbreviation of_ =meia-calça=) =a navegação=, navigator =ignorar=, to be ignorant =affectuoso=, affectionate =directamente=, directly =humilde=, humble =la=, there =obrigado=, obliged =reverendo=, reverend =São=, } Saint =Santo=, }
1. De S. Felix fui directamente a S. Paulo, e de la a Sta.
Clara pela E. F.
2. Illmo. Exmo. Sr. Dr.
Antᵒ José dos Santos Pinheiro,
M. D. Director da Cⁱᵃ de Navegação.
3. De V. Exᵃ,
Amᵒ e crᵈᵒ obdᵒ.
4. Exᵐᵒ e Revᵐᵒ Sr. D. Antonio de Macedo Costa,
Digᵐᵒ Bispo do Pará.
5. Collega, amᵒ affᵒ e humᵉ servo em J. C.
6. Illᵐᵒ e Exᵐᵒ Snr., V. Exᵃ não ignora que em 8bro. p.p. veio a Roma o Snr. Barão de Penedo. 7. Deus guarde a V. Exᵃ. 8. Falle V. Sᵃ ao Papa e ao Cardeal A. n’este sentido. 9. A S. M. I., D. Pedro II., O. D. C. o autor. 10. No caso que V. S. esteja com fome. 11. Não tenho nada que não esteja ás ordens de V. Exᵃ.
XXXVI
SIMILARITY OF WORDS
(See § 145, page 113)
_For vocabulary see pages 117-118._
1. Como fosse notorio e vulgar o amor de Alvaro a Leonor --.
2. Elle foi nomeado director do collegio.
3. Esta casa é muito ordinaria, e tem as janellas estreitas.
4. O pai delle é meu parente.
5. Pinheiro tirou a sorte grande na loteria do estado.
6. O alumno assistiu ao espectaculo no dia seguinte.
7. Ascenda a luz e arme minha rede ahi perto da mesa.
8. Quero partir ás quatro horas de madrugada.
9. O artista vendeu as acções conforme o regimento da companhia.
10. Fiquei admirado e desapontado com este negocio.
11. Estamos apreciando a musica.
12. Nossa petição foi deferida pelo ministro.
13. Durou o espectaculo a noite inteira.
14. Apanhei uma constipação no sereno.
15. Tirou uma photographia do gado demandando Goyaz.
16. O parente delle acordou tarde.
17. O caso não é de minha competencia.
18. A casa real de Portugal.
19. Partiu de madrugada pelo vapor á hora marcada.
20. Fica combinado que reuniremos nesta casa particular.
21. Correu a fama a contar os successos pelas mil boccas da defamação.
FOOTNOTES:
[64] The student is warned against supposing that words ending alike are always accented alike.
[65] In the remaining vocabularies the definite article is placed before the nouns to indicate the gender, but it is not repeated in the English translation.
[66] Moraes says that =caixa= is longer than wide and that it is called =caixa= when full, and =caixão= when empty.
XXXVII
EXAMPLES OF STYLE
The following are examples of the styles of several of the best writers of Portuguese.
The literary form of the Portuguese of the Bible differs in some essential respects from the language used in every-day life just as it does in English. The following from a late translation of the New Testament will serve as an example.
THE NEW TESTAMENT
«Os Santos Evangelhos e o livro dos actos dos Apostolos, Versão fiel
do original Grego» [Rio de Janeiro, 1907] S. Matheus, vi. 1-23.
Matthew, vi. 1-23.
«Guardae-vos de fazer as vossas boas obras deante dos homens, para
serdes vistos por elles; de outra sorte não tendes recompensa junto
de vosso Pae que está nos céos.
Quando, pois, deres esmola, não faças tocar a trombeta deante de
ti, como fazem os hypocritas nas synagogas e nas ruas, para serem
honrados dos homens; em verdade vos digo que já receberam a sua
recompensa. Tu porém, quando deres esmolas, não saiba a tua mão
esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em
secreto; e teu Pae que vê em secreto, te retribuirá.
Quando orardes, não sejaes como os hypocritas; porque elles gostam
de orar em pé nas synagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos
dos homens; em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta,
ora a teu Pae que está em secreto; e teu Pae que vê em secreto, te
retribuirá. Quando orares, não useis de repetições desnecessarias
como os Gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão
ouvidos. Não sejaes, pois, como elles; porque vosso Pae sabe o que
vos é necessario antes que lh’o peçaes. Orae, portanto, deste mode:
Pae nosso que estás nos céos; sanctificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céo. O pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dividas, assim como nós tambem perdoamos aos nossos devedores; e não nos deixes cahir em tentação, mas livra-nos do mal.
Porque se perdoardes aos homens as suas offensas, tembem vosso Pae
celestial vos perdoará; mas se não perdoardes aos homens, tão pouco
vosso Pae perdoará, as vossas offensas.
Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hypocritas; porque
elles desfiguram os seus rostos para fazer ver aos homens que
elles estão jejuando; em verdade vos digo que já receberam a sua
recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto
para não mostrar aos homens que jejuas, mas sómente a teu Pae que
está em secreto; e teu Pae que vê em secreto, te retribuirá.
Não ajunteis para vós thesouros na terra, onde a traça e a ferrugem
os consomem, e onde os ladrões penetram e roubam; mas ajuntae para
vós thesouros no céo, onde nem a traça nem a ferrugem os consomem,
e onde os ladrões não penetram nem roubam; porque onde estiver o teu
thesouro, ahi estará tambem o teu coração. Os olhos são a luz do
corpo. Se elles, pois forem simples, todo o corpo será luminoso; mas
se forem maus, todo o teu corpo ficará ás escuras. Se, portanto, a
luz que ha em ti, são trevas; quão densas são as trevas!»
XXXVIII
_Alexandre Herculano_ (1810-1877) is a distinguished Portuguese poet, historian, and novelist. The first edition of his classic “Historia de Portugal” was published in 1846. The following extracts are from the 6th edition of that work printed at Lisbon in 1901.
(_The First Crusade._ Vol. I, p. 199.)
«Um grande acontecimento, cujas consequencias foram immensas para
o progresso da civilisação, preoccupava por esse tempo os animos
em toda a Europa e em grande parte da Asia. A primaeira cruzada,
promovida pelo eremita Pedro e pelas eloquentes palavras de Urbano
+II+ no concilio de Clermont, tinha arrojado para a Syria cem mil
homens d’armas seguidos de uma turba innumeravel de individuos de
todas as condições e de ambos os sexos. Depois de longa viagem,
em que a miseria, os vicios, as doenças e a guerra reduziram a
bem pequeno numero essa multidão desordenada, Jerusalem caira nas
mãos dos cruzados, e os guerreiros que não se tinham armado para
a conquista dos lugares sanctos puderam ir ainda, após os mais
fervorosos, ajudar a defender a monarchia christan[67] fundada na
Palestina e ganhar ahi a gloria e a opulencia ou a remissão de
passados crimes, remissão que a igreja concedia com mão larga aos
que, pondo sobre o hombro esquerdo a cruz vermelha, se votavam á
trabalhosa e arriscada peregrinação do ultramar. Seis annos depois da
primeira invasão, em 1101, uma segunda cruzada partiu para o oriente,
cujos successos desastrados não impediram que novos peregrinos se
fossem precipitar naquelle vasto sorvedouro de quantos homens de
fé viva tinha a Europa e tambem de quantas fézes de corrupção,
cubiça e ferocidade havia nella. Para as almas crentes ou devoradas
de remorsos a Syria era a piscina da rehabilitação moral: para os
ambiciosos e devassos fonte inexgotavel de fortuna e de deleites.
As paixões boas e más ligavam-se num pensamento unico--o demandar o
oriente; porque tanto a vida como a morte offereciam ao que partia
uma perspectiva de felicidade.»
(_The Moors of Spain and Portugal in the twelfth century._ Vol. I, 349-350.)
«Os mahommetanos da Peninsula offerecem-nos pelo meiado do século
+XII+ mais um desses exemplos, ao mesmo tempo terriveis e salutares,
de que abunda a historia. Naquelle país, seja qual fôr o seu gráu de
civilização e poderio, onde fallece o amor da patria, onde os vicios
mais hediondos vivem á luz do sol, onde a todas as ambições é licito
pretender e esperar tudo, onde a lei, atirada para o charco das ruas
pelo pé desdenhoso dos grandes, vai lá servir de joguete ás multidões
desenfreiadas, onde a liberdade do homem, a magestade dos principes
e as virtudes da familia se converteram em tres grandes mentiras, ha
ahi uma nação que vai morrer. A Providencia, que o previu, suscita
então outro povo que venha envolver aquelle cadáver no sudario dos
mortos. Pobre, grosseiro, não numeroso, que importa isso? Para pregar
as taboas de um ataúde qualquer pequena força basta.»
(_The death of Affonso I of Portugal._ Vol. I, 463-464.)
«No longo crepusculo de velhice aborrida e enferma, o coração do
valente Affonso +I+ ainda pôde dilatar-se pela ultima vez nos
contentamentos de uma grande victoria. A sua boa espada repousava
havia muito na bainha juncto do seu leito de dôr; mas consolá-lo-hia
a certeza de que deixava um filho digno delle no esforço, e uma nação
cheia de energia e de esperança, a qual lhe devia quasi inteiramente
a sua vida politica. A resistencia invencivel que as forças de
terra e de mar do imperio mussulmano tinham encontrado em Portugal
provava-lhe que o povo educado por elle passara em curtos annos de
debil infancia a juventude robusta. O edeficio da independencia
nacional, desenhado pelo conde Henrique, cimentado por D. Theresa
e realisado de todo o ponto por elle, achava-se, emfim, concluido
com a segurança necessaria para resistir á destruidora acção dos
séculos . . .
O ultimo anno da vida de Affonso +I+ passou sem que a historia
tivesse nada que mencionar acerca deste principe. O guerreiro como
que já dormitava no somno da morte, que em breve devia cerrar-lhe
perpetuamente as pálpebras. Apenas alguns documentos dessa épocha
nos mostram que nos seus derradeiros dias não abandonou de todo o
leme do estado, ao passo que se mostrava ainda liberal para a igreja,
com quem sempre repartira largamente os fructos das suas conquistas.
Veio, enfim, a fallecer a 6 de dezembro de 1185 depois de governar
este pais com os titulos d’infante e de principe doze annos e com o
de rei quarenta e cinco. Ordenara elle que o enterrassem no mosteiro
de Sancta Cruz de Coimbra, onde jaziam tambem as cinzas de sua esposa
D. Mafalda. Ahi, de feito, descansou finalmente aquelle corpo gasto
de tantas lidas em sepultura modesta, conforme permittia a rudeza dos
tempos, até que elrei D. Manuel lhe alevantou o rico mausoléo em que
ainda hoje se guardam os ossos do fundador da monarchia.»
XXXIX
_Almeida Garrett_ (João Baptista da Silva Leitão, Visconde d’ Almeida, 1799-1854) the most popular poet of Portugal published some twenty-seven volumes of poems, plays, history, etc.
The following extract is from a poem entitled “Camões,” canto V, stanza +XI+. The first edition of this poem appeared in 1825.
CINTRA
«Oh Cintra! oh saudosissimo retiro,
Onde se esquecem mágoas, onde folga
De se olvidar no seio á natureza
Pensamentos que imbala adormecedo
O sussurro das folhas, c’o murmurio
Das despenhadas lymphas misturado!
Quem, descansando á fresca sombra tua,
Sonhou senão venturas? Quem, sentado
No musgo de tuas rocas escarpadas,
Espairecendo os olhos satisfeitos
Por céos, por mares, por montanhas, prados,
Por quanto ha hi[68] mais bello no universo,
Não sentiu arrobar-se-lhe a existencia,
Poisar-lhe o coração suavamente
Sobre esquecidas penas, amarguras,
Ancias, lavor da vida?--Oh grutas frias,
Oh gemedoras fontes, oh suspiros
De namoradas selvas, brandas veigas,
Verdes outeiros, gigantescas serras!
Não vos verei eu mais, delicias d’alma?
Troncos onde eu cortei queridos nomes
D’amisade e de amor, não hei de um dia
Perguntar-vos por elles? Soletrando
Não irei pelas arvores crescidas
Os caracteres que, em tenrinhas plantas,
Pelas verdes cortiças lh’entalhára!
Oh! se inda[69] eu vos verei! . . .»
XL
_Joaquim Nabuco_ (born in the province of Pernambuco, Brazil, in 1847; died at Washington January 17, 1910) was one of the ablest and best-known of Brazilian statesmen, diplomats, and writers.
The following extract from “Minha Formação,” Paris, 1900, pages 223-225, is a good example of his writing, and at the same time throws light upon his character and upon his career as the leader of the antislavery movement in Brazil.
«Tornei a visitar doze annos depois a capellinha de S. Matheus onde
minha madrinha, Dona Anna Rosa Falcão de Carvalho, jaz na parede
ao lado do altar, e pela pequena sacristia abandonada penetrei no
cercado onde eram enterrados os escravos . . . Cruzes, que talvez
não existam mais, sobre montes de pedras escondidas pelas ortigas,
era tudo quasi que restava da opulenta _fabrica_, como se chamava o
quadro da escravatura . . . Em baixo, na planicie, brilhavam como
outr’ora as manchas verdes dos grandes cannaviaes, mas a usina
agora fumegava e assobiava com um vapor agudo, annunciando uma
vida nova. A almanjarra[70] desapparecera no passado. O trabalho
livre tinha tomado o logar em grande parte do trabalho escravo. O
engenho apresentava do lado do «porto» o aspecto de uma colonia;
da casa velha não ficára vestigio . . . O sacrificio dos pobres
negros que haviam incorporado as suas vidas ão futuro d’aquella
propriedade, não existia mais talvez senão na minha lembrança . . .
Debaixo dos meus pés estava tudo o que restava d’elles, defronte dos
_columbaria_ onde dormiam na estreita capella aquelles que elles
haviam amado e livremente servido. Sosinho alli, invoquei todas as
minhas reminiscencias, chamei-os a muitos pelos nomes, aspirei no ar
carregado de aromas agrestes, que entretem a vegetação sobre suas
covas, o sopro que lhes dilatava o coração e lhes inspirava a sua
alegria perpetua. Foi assim que o problema moral da escravidão se
desenhou pela primeira vez aos meus olhos em sua nitidez perfeita
e com sua solução obrigatoria. Não só esses escravos não se tinham
queixado de sua senhora, como a tinham até o fim abençoado . . . A
gratidão estava do lado de quem dava. Elles morreram acreditando-se
os devedores . . . seu carinho não teria deixado germinar a mais
leve suspeita de que o senhor pudesse ter uma obrigação para com
elles, que lhe pertenciam . . . Deus conservára alli o coração do
escravo, como o do animal fiel, longe do contacto com tudo que o
pudesse revoltar contra a sua dedicação. Esse perdão espontaneo
da divida do senhor pelos escravos figurou-se-me a amnistia para
os paizes que cresceram pela escravidão, o meio de escaparem a um
dos peiores taliões da historia . . . Oh! os Santos pretos! seriam
elles os intercessores pela nossa infeliz terra, que regaram com
seu sangue, mas abençoaram com seu amor! Eram essas as idéas que
me vinham entre aquelles tumulos, para mim, todos elles, sagrados,
e então alli mesmo, aos vinte annos, formei a resolução de votar a
minha vida, si assim me fosse dado, ao serviço da raça generosa entre
todas que a desegualdade da sua condição enternecia em vez de azedar
e que por sua doçura no soffrimento emprestava até mesmo á oppressão
de que era victima um reflexo de bondade . . .»
XLI
_Julia Lopes d’ Almeida_, native of the province of S. Paulo, Brazil, is the authoress of many romances and other writings. She has a charming straightforwardness and simplicity of style. She is the one writer who has had the artistic insight to appreciate, and the courage to set down in its true form, the language of the =caipiras= and of the old slaves. The following brief example taken from “A Familia Medeiros” 2a ed. S. Paulo 1894, 261-265, will give an idea of the character of the _patois_ of the interior of S. Paulo. The correct words inserted in brackets do not, of course, appear in the original.
«Eram seis horas da manhã quando Octavio, accordando, ouvio dois
caipiras dialogarem sob a janella do seu quarto. Dizia um:
--Seu [Senhor] Romão já disse qui o mais fólte di nois tudo [forte de
nos todos] é o Braz . . .
--Tché![71] na terra! o mais fólte di nois tudo [forte de nos todos]
sou eu!
--Seu Zé [Senhor José] Riba mandou chamá [chamar] um capanga di [de]
fora, um tá Furctuoso! [tal Fructuoso]
--Eh! sae cinza!
--Os [o] coitado . . .
--Quê [probably for _quem é_] coitado?
--Da gente do dotô . . . [doutor]
--Foi nho [Senhor] Triguero que mandou chamá [chamar] mecê [vossa
mercê]?
--Não foi não; eu vim trazê [trazer] um recado de nhô [Senhor] Juca,
pro [para] móde [modo] elle í [ir] lá combiná [combinar] as [a]
coisa; o diabo é que fica talde [tarde] e eu perciso [preciso] i mi
[ir me] embora.
--Mecê [vossa mercê] foi convidado pra [para a] festa?
--Fui.
--Quem foi que convidou mecê? [vossa mercê]
--Nhô [Senhor] Carro [Carlos] de Lima, mais [mas] não vou não!
--Uê! Isso é o mesmo que pinchá [pinchar] dinheiro fóra!
--É . . . mais [mas] não vou. Eu quando vejo sangue fico tão patife
[for covarde] que até chego a sê [ser] vil!
Ouvindo o nome de Fructuoso ligado áquellas palavras mysteriosas,
Octavio ergueu-se e abriu a janella, mas já os dois caipiras se
tinham afastado; um d’elles conversava com o Trigueirinhos, que o
ouvia de rosto carregado; o outro desapparecia na porta do pateo com
um feixe de palmitos ao hombro.
* * * * *
Estavam assim, quando ouviram o rodar de um troly;[72] chegavam os
Francos. Noemia estremeceu e approximou-se instinctivamente da mãe,
como a pedir-lhe misericordia e apoio.
Momentos depois, entravam na sala o coronel Cerqueira Franco e o
filho.
O coronel era um velho robusto, alto, corpulento, de barba farta a
encobrir-lhe todo o peito, andar pesado e grandes mãos cabelludas. O
filho, egualmente alto e forte, tinha o aspecto agradavel, o olhar
sereno, um sorriso bondoso e feliz de creança posto nos grossos
labios de um homem.
O commendador apresentou-o a Noemia, dizendo-lhe:
--Esta é que é vossa noiva!
Elle corou; ella, sem levantar os olhos, extendeu-lhe a mão, gelada e
tremula.
Houve um instante de silencio, que o coronel Cerqueira Franco se
apressou em cortar fallando num tom alto, com certa intimidade e
alegria.
Voltando-se para o filho exclamou:
--Você tem uma noiva muito bonita; carece agora de tratal-a bem,
ouviu? bonita e . . . commoda! porque é tão delicada que ha de ser
por força muito leviana! [leve] cabe num canto do bolso de Julio!
Pouco depois, uma mucama chamou para o almoço.
Enchendo o seu prato de _quiréra_ [milho pizado] e lombo de porco, o
coronel Franco proseguia:
--D. Nicota, a senhora descurpe [desculpe] a franqueza! mas quando eu
passei na cachoeira de Pirassununga, hontem de talde [tarde], tavam
[estavam] caçando peixe [pescando], então apeguei de trazê [trazer]
um dourado pra [para] sua ceia . . .» E dirigindo-se immediatamente
ao Trigueirinhos:
--«Seu tio é bem bom . . . eu já pousei aqui na visinhança uma noite,
em casa do . . . de um _chimbéva_[73] moreno. . . .»
--«O Prates?»
--«Isso! . . . não me alembrava [lembrava] o nome, era casado com uma
moça da Limeira . . . oh! que mulher fogueta!»
Os outros riram-se; elle continuou:
--Estou ficando com os pés fria [frios]! acho que é porque a varanda
é de tijolo! Trigueirinhos? vocês não aquentam fogo, não?
--Que sim, responderam. De vez em quando, no inverno, faziam fogo na
sala de jantar, entre as redes; agora porem, em fevereiro, nem se
lembravam d’isso!
O coronel Franco proseguiu fallando sempre, ora das suas
propriedades em diversos locaes da provincia, ora do casamento do
filho, etc. . . . Á sobremesa disse ter ouvido de dois passageiros,
no trem, grandes injurias ás auctoridades de Casa Branca, e tambem
que haveria nessa cidade uma revolução de escarvos! isso é que era
o diabo! Deveria dar credito a semelhante boato? indagava elle,
mastigando com a completa dentadura postiça o doce de abobora
moranga, servido ás talhadas.
XLII
_Antonio Gonçalves Dias_ (1824-1864) was a native of the province of Maranhão in Brazil, and was educated at the University of Coimbra in Portugal. He is the most popular of the Brazilian poets. Every Brazilian knows by heart his beautiful “canção do exilo” written at Coimbra in 1843.
CANÇÃO DO EXILO
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;[74]
As aves, que aqui gorgeião,
Não gorgeião como lá.
Nosso céo tem mais estrellas,
Nossas varzeas tem mais flores,
Nossos bosques tem mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em scismar, sósinho, á noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que taes não encontro eu cá;
Em scismar--sósinho, á noite--
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permitta Deos que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfructe os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
XLIII
The _Marquez de Maricá_ (1773-1848) one of the illustrious statesmen and litterateurs of Brazil was especially noted for his maxims, examples of which are given here.
MAXIMAS, PENSAMENTOS, E REFLEXÕES
Ninguem considera a sua ventura superior ao seu merito, mas todos se
queixão das injustiças dos homens e da fortuna.
A modestia doura os talentos, a vaidade os deslustra.
Os abusos, como os dentes, nunca se arrancão sem dôres.
Quando o povo não acredita na probidade, a immoralidade é geral.
O moço devasso póde emendar-se, o velho vicioso he incorrigivel.
Os mais arrojados em fallar são ordinariamente os menos profundos em
saber.
A virtude resistindo se reforça.
A virtude he communicavel, mas o vicio contagioso.
Os governos fracos fazem fortes os ambiciosos e insurgentes.
Ninguem duvida tanto como aquelle que mais sabe.
A bravura é taciturna, mas a cobardia garrulenta.
Ninguem é grande homem em tudo e em todo o tempo.
Não é dado ao saber humano conhecer toda a extensão da sua ignorancia.
Os medicos accusão a natureza, os enfermos aos medicos.
Muita sciencia occasiona muita incerteza.
Nenhum governo é bom para os homens máos.
Soffrei privações na mocidade, e sereis regalados na velhice.
Queixamo-nos da fortuna para desculpar a nossa preguiça.
O odio e a guerra que declaramos aos outros nos gasta e consome a nós
mesmos.
Velhos ha que bem merecem ser comparados aos volcões extinctos.
Os bons exemplos dos pais são as melhores lições e a melhor herança
para os filhos.
A importunidade é algumas vezes mais feliz que o merecimento.
A liberdade é a que nos constitue entes moraes bons ou máos: é
hum grande bem para quem tem juizo; e para quem o não tem, um mal
gravissimo.
Não ha cousa mais facil que vencer os outros homens, nem mais
difficil que vencer-nos a nós mesmos.
Entre as paixões humanas a ambição tem tanto de nobre como a avareza
de ignobil.
Os nossos maiores inimigos existem dentro de nós mesmos: são os
nossos erros, vicios e paixões.
Em algumas revoluções o jogo continúa como dantes, á excepção do
barulho e jogadores que são novos.
As revoluções politicas, quando não melhorão, deteriorão,
necessariamente a sorte das nações.
As nações, como as pessoas, aprendem errando e soffrendo.
Não ha escravidão peior que a dos vicios e paixões.
Huma revolução feliz justifica os maiores crimes e os eleva á
cathegoria de virtudes.
Deve-se usar da liberdade, como de vinho, com moderação e sobriedade.
A plena liberdade é como a pedra philosophal, procurada por muitos e
por nenhum descoberta.
Ninguem é tão prudente em dispender o seu dinheiro como aquelle que
melhor conhece as difficuldades de o ganhar honradamente.
A força sem intelligencia é como o movimento sem direcção.
Não se apaga o fogo com resinas, nem a colera com más palavras.
Os ignorantes exagerão sempre mais que os intelligentes.
Os prazeres, como as rosas, estão bordados de espinhos; colhêlos sem
ferir-se é o requinte da prudencia e habilidade humana.
Os pobres declamão contra a riqueza para se consolarem ou se
justificarem de não serem ricos.
A melhor entidade da terra é huma boa mulher, a peior a que é má.
A desconfiança é o tormento dos velhos, receião-se de todos e de tudo.
A morte salda muitas contas que a vida não pode ajustar.
A melhor companhia acha-se em huma escolhida livraria.
Huma boa letra não annuncia vasta intelligencia, nem huma eloquencia
brilhante profunda sapiencia.
A ignorancia é mãe da superstição e fanatismo.
A gente moça não sabe apreciar os bens do que goza, nem avaliar os
males que não padece.
Os que sabem menos são ordinariamente os que fallão mais.
Sem philosophia não ha sabedoria: quem não é philosopho não póde ser
sabio.
Todos se accusão ou se queixão de pouco dinheiro, nenhum de pouco
juizo.
A litteratura ingleza deve servir de antidoto á franceza: esta vicia,
aquella moralisa os seus cultores.
A vaidade e um elemento muito importante da felicidade humana.
MEU EPITAPHIO
Aqui jaz o corpo apenas
Do marquez de Maricá:
Quem quizer saber-lhe da alma,
Nos seus livros a achará.
XLIV
_Luis de Camões_ (born at Lisbon in 1524, died in 1579) was the greatest literary genius ever produced by Portugal. His “Lusiádas” is the most celebrated poem in the Portuguese language. It is an epic, and treats of the discovery of India by the early Portuguese navigators.
The extracts that follow are from the first Canto of the “Lusiádas.” In verses +VI+ to +XVIII+ of the first Canto the poet addresses himself to Dom Sebastião who was king of Portugal from 1557 to 1578. At +XIX+ the ships are under sail, and at +XX+ Jupiter calls together the gods to decide the fate of the enterprise.
CANTO PRIMEIRO
VI
E vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitana[75] antigua liberdade,
E não menos certissima esperança
De augmento da pequena Christandade:
Vós, ó novo temor da Maura lança,
Maravilha fatal[76] da nossa idade;
Dada ao mundo por Deos, que todo o mande,
Para do mundo a Deos dar parte grande:
VII
Vós, tenro e novo ramo florecente
De huma arvore de Christo mais amada
Que nenhuma nascida no Occidente,
Cesárea, ou Christianissima chamada:
Vêde-o no vosso escudo, que presente
Vos amostra a victoria já passada;
Na qual vos deo por armas, e deixou
As que elle para si na Cruz tomou:
VIII
Vós, poderoso Rei, cujo alto imperio
O Sol logo em nascendo vê primeiro;
Vê-o tambem no meio do hemispherio;
E quando desce, o deixa derradeiro:
Vós, que esperâmos jugo, e vituperio
Do torpe Ismaelita cavalleiro,
Do Turco oriental, e do Gentio
Que inda[77] bebe o licor[78] do sancto[79] rio.
IX
Inclinai por hum pouco a magestade,
Que nesse tenro gesto vos contemplo;
Que já se mostra qual na inteira idade,
Quando subindo ireis ao eterno templo.
Os olhos da Real benignidade
Ponde no chão: vereis hum novo exemplo
De amor dos patrios feitos valerosos,
Em versos divulgado numerosos.
XIX
Já no largo Oceano navegavam,
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das náos as velas concavas inchando:
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As maritimas aguas consagradas,
Que do gado de Proteo são cortadas.
XX
Quando os deoses[80] no Olympo luminoso,
Onde o governo está da humana gente,
Se ajuntam em concilio glorioso
Sobre as cousas futuras do Oriente:
Pisando o crystallino céo formoso,
Vem pela via Lactea juntamente,
Convocados da parte do Tonante[81]
Pelo neto gentil do velho Atlante.
FOOTNOTES:
[67] An old form of =christã=; see § 5, foot-note to _n_.
[68] =hi= in place of =ahi=.
[69] =inda= for =ainda=.
[70] =Almanjarra= is the name given the old-fashioned cane mill that was turned by oxen or horses.
[71] =Tché=, an exclamation; this sound is only used in Brazil in certain parts of S. Paulo, and in Minho and Tras-os-Montes in Portugal, where it probably originated.
[72] Small spring wagon, or _buckboard_, introduced into S. Paulo about 1870; it is known by the English name of _trolly_.
[73] Flat-nosed person.
[74] =Sabiá= is the popular name of a kind of Brazilian robin.
[75] Lusitania was an ancient province of Spain that included a large part of modern Portugal, of which it is often used as a synonym.
[76] fateful.
[77] =ainda.=
[78] liquor.
[79] =santo.=
[80] See =deus=.
[81] Jupiter Tonans.
VOCABULARIES
including index to rules, tables, conjugations of verbs, and examples in the text.
The numbers and letters refer to the paragraphs of the text.
The gender of the nouns is indicated by the use of the definite article =o= (masculine) or =a= (feminine) before the noun. The article when thus used is not translated in the vocabulary.
ABBREVIATIONS
_adj._ adjective _adv._ adverb _art._ article _conj._ conjunction _f._ feminine _int._ interjection _m._ masculine _ord._ ordinal numeral _pp._ past participle _pr. part._ present participle _pl._ plural _prep._ preposition _pro._ pronoun _s._ substantive _v._ verb
The part of speech is indicated only in cases where doubt is possible.
PORTUGUESE-ENGLISH VOCABULARY
A
=a=, _art._, the, § 14-16.
=a=, _prep._, to, of, § 122_a_, 123_a_, _b_, _c_, _d_, _e_, 124, 139,
141.
=a=, that, § 87.
=a=, =as=, them, § 65.
=abaixo=, below, § 144.
=abandonar=, to abandon.
ABBREVIATIONS, § 147.
=a abelha=, bee, § 26_c_.
=abençoar=, to bless.
=aberto=, _adj._, open.
=a abobora=, squash, pumpkin.
=aborrido=, sad, tedious, wearisome.
=abraçar=, to embrace.
=abranger=, to contain.
=Abril=, April.
=abrir=, to open.
ABSOLUTE SUPERLATIVE, § 44.
=abundar=, to abound.
=o abuso=, abuse.
=acabar=, to finish, § 123_f_.
=a acção=, action, share.
=accender=, to light, set fire.
ACCENT MARKS, § 8.
=accessivel=, accessible.
=accordar=, to waken.
=accusar=, to accuse, complain.
=aceitar=, to accept.
=acerca=, concerning.
=achar=, to find, § 124_a_, 138.
=acima=, above, § 144.
=acolá=, there, § 135_r_.
=acompanhar=, to accompany, § 124_c_.
=acontecer=, to happen.
=o acontecimento=, occurrence.
=acreditar=, to believe.
=a actividade=, activity.
=activo=, active.
=o actor=, actor.
=adiante=, before (_in space_).
=adiar=, to postpone.
ADJECTIVES, § 39.
=a admiração=, admiration.
=admirado=, surprised.
=adoecer=, to fall ill, sicken.
=adoptar=, to adopt.
=adormecido=, lulled.
ADVERBS, § 134.
=a adversidade=, adversity.
=o advogado=, lawyer.
=afastar=, to withdraw, go away.
=a affabilidade=, affability.
=affectuosamente=, affectionately.
=affectuoso=, affectionate.
=affeiçoado=, addicted to, inclined.
=afigurado=, shapely, fine looking.
=afim=, for the purpose of, § 144-5.
=a agonia=, agony.
=agora=, now.
=o agosto=, August.
=agradavel=, agreeable.
=agradecer=, to thank, § 122_i_.
=agreste=, of the forest, untilled, rough.
=a agua=, water.
=agudo=, sharp, acute.
=aguentar=, to endure, stand.
=a aguia=, eagle, § 26_c_.
=ahi=, there, § 135_c_.
=ainda=, yet, § 135_q_, 145.
=ajuntar=, to get together, accumulate.
=ajustar=, to adjust.
=a alegria=, joy, joyfulness.
=alem=, beyond, § 144.
=alevantar=, to get up, lift, build.
=o alfinete=, pin.
=algo=, something, § 100_b_.
=o algodão=, cotton.
=alguem=, some one.
=algum=, some, any, no, § 101.
=ali=, there, § 135_d_.
=o allemão=, German (_and adj._).
=alli=, _see_ =ali=.
=a alma=, soul.
=almoçar=, to breakfast, § 122_i_.
=o almoço=, breakfast.
ALPHABET, § 1.
=o altar=, altar.
=a alteza=, highness, § 147.
=alto=, high, tall, § 45, 134_e_.
=alugar=, to let, rent.
=o alumno=, student.
=alvo=, white.
=a ama=, nurse.
=a amabilidade=, kindness, friendliness.
=amanhan=, _or_ =amanhã=, to-morrow.
=amar=, to love.
=amarello=, yellow.
=a amargura=, bitterness, grief.
=amavel=, amiable, friendly.
=a ambição=, ambition.
=ambicioso=, ambitious.
=ambos=, both.
=o amigo=, friend.
=a amizade=, friendship.
=a amnistia=, amnesty.
=o amor=, love.
=amostrar=, to show (_also_ =mostrar=).
=a ancia=, anxiety, perplexity.
=andar=, to walk, § 109_e_, 124_a_.
=o andar=, floor.
=angelico=, angelic.
=o animal=, animal.
=o animo=, mind, spirit.
=o annel=, ring, § 20. 5.
=o anno=, year.
=annunciar=, to announce.
=anoitecer=, to become night.
=ante-hontem=, day before yesterday.
ANTEPENULT, ACCENTED, § 9_d_.
=antes=, before (_in time_), rather, § 145.
=o antidoto=, antidote.
=antigo=, ancient, old.
=o anzol=, fish-hook.
=aonde=, where, § 135_m_.
=apagar=, to put out, extinguish.
=apanhar=, to catch.
=apartar=, to part, separate.
=apegar=, _see_ =pegar=.
=apenas=, barely, merely.
=apesar=, in spite of, § 145.
=o apoio=, support.
=apontar=, to point, take aim.
=após=, after, behind.
=o apostolo=, apostle.
=apparelhar=, to prepare, fit out.
=o appetite=, appetite.
=apprehender=, to learn.
=apreciar=, to appreciate, enjoy.
=apresentar=, to present, introduce.
=apressar=, to hasten.
=aproveitar=, to improve the opportunity, turn to account.
=aproximar=, to approach.
=aquelle= =-a=, that, § 84.
=aquentar=, to heat, fire.
=aqui=, here;
=d’aqui=, hence, § 134, 135_a_.
=aquillo=, that, § 85.
=o ar=, air, appearance.
=ardente=, ardent.
=a areia=, sand.
=a arma=, (fire)arm.
=armar=, to arm.
=a aroma=, aroma, sweet odor.
=arrancar=, to pull out, extricate, § 108, 123_f_.
=arrepender-se=, to repent, § 126_b_.
=arriscado=, dangerous, risky.
=arriscar=, to risk.
=arrobar=, to ravish, put in ecstasy.
=arrojado=, bold, rash.
=arrojar=, to drag.
=a arvore=, tree.
=ascender=, to light.
=o aspecto=, aspect.
=aspirar=, to breathe.
=assignalar=, to distinguish.
=assim=, so, thus.
=assistir=, to assist, to be present.
=assoberbar=, to vex.
=assobiar=, to hiss, whistle.
=o assucar=, sugar.
=o asylo=, asylum, refuge, home.
=o ataude=, coffin.
=até=, to, at, until, § 122_c_.
=atirar=, to throw, throw down, shoot.
=atrever-se=, to dare, venture.
=o atrevimento=, boldness, daring.
=attento=, attentive.
=attingir=, to attain.
=attracar=, to make fast.
AUGMENTATIVES, § 35, 46.
=o augmento=, increase.
=o autor=, author.
=a autora=, authoress.
=a autoridade=, authority.
AUXILIARY VERBS, § 109.
=o auxilio=, help.
=avaliar=, to value.
=a avareza=, avarice.
=a ave=, bird.
=avistar=, to see, get sight of.
=a avó=, grandmother.
=o avô=, grandfather.
=-avo=, suffix in fractions, § 61_a_.
=a aza=, wing.
=azedar=, to embitter.
=o azeite=, oil.
=azul=, blue, § 41_f_.
B
=o bacalháu=, codfish.
=o bacharel=, bachelor (_academic_).
=a bahia=, bay.
=a bainha=, sheath, scabbard.
=baixo=, low, § 134_e_.
=a bala=, ball, bullet.
=balançar=, to balance, swing, rock.
=a bandeira=, flag, banner.
=a banha=, lard.
=o banho=, bath.
=o barão=, baron.
=barato=, cheap.
=a barba=, beard.
=barbaro=, barbarous.
=a baroneza=, baroness.
=a barra=, bar, mouth of stream.
=o barril=, barrel, § 20. 6.
=o barro=, clay.
=o barulho=, noise.
=bastante=, enough.
=bastar=, to suffice.
=a batalha=, battle.
=a batata=, potato.
=bater=, to beat, knock.
=beber=, to drink.
=o beiço=, lip.
=bello=, fine, handsome.
=o Beltrano=, § 94.
=bem=, well; =se bem que=, § 145.
=o bem=, good; _pl._, =bens=, goods;
=bens de raiz=, real estate.
=bemdito=, _see_ =bemdizer=.
=a benção=, blessing.
=a benignidade=, benignity.
=o betume=, pitch, tar.
=a bibliotheca=, library.
=o bilhete=, ticket.
=o bispo=, bishop.
=boa=, _see_ =bom=.
=o boato=, report, rumor.
=a boca=, mouth.
=o boi=, ox.
=bolir=, _see_ =bulir=.
=o bolso=, pocket.
=bom=, good, § 41_g_, 51.
=a bondade=, goodness, kindness.
=bondoso=, good, good-natured.
=bonito=, pretty, handsome.
=bordar=, to border, surround.
=o bosque=, woods, grove.
=botar=, to put, place.
=a botica=, apothecary’s shop.
=a botina=, boot.
=o braço=, arm.
=branco=, white.
=brandamente=, gently.
=brando=, gentle, sweet.
=o brasileiro=, Brazilian (_and adj._).
=bravo=, wild.
=a bravura=, bravery.
=o breu=, pitch, tar.
=breve=, short.
=brilhante=, brilliant.
=brilhar=, to shine, glitter.
=o brilho=, brilliancy.
=brincar=, to play, fool.
=bulir=, to disturb, stir.
=buscar=, to fetch, bring.
C
=cá=, here, § 135_b_.
=a cabeça=, head; round-topped mountain.
=o cabello=, hair.
=cabelludo=, hairy.
=caber=, to hold, § 112, p. 83.
=a cabra=, goat.
=a cachoeira=, water-fall.
=o cachorro=, dog.
=cada=, each, § 100_j_.
=o cadaver=, dead body.
=a cadeira=, chair.
=o caes=, quay, mole, § 20_b_.
=o café=, coffee.
=cahir=, to fall, § 110, p. 82.
=o caipira=, backwoodsman.
=a caixa=, box;
=caixa economica=, savings-bank.
=o caixão=, big box. _See_ Exercise X.
=a cal=, lime, § 20. 4.
=calar=, to hush, silence, § 126_b_.
=calçar=, to put on (_shoes_, _socks_, _trousers_), § 122.
=as calças= (_pl._), trousers, § 21.
=o calor=, heat, § 121.
=a camada=, bed, layer (_of rock_).
=a camara=, room.
=o=, =a camarada=, companion.
=o camareiro=, chamberlain.
=o camarote=, cabin (_on ship_), box (_in theater_).
=o caminho=, road, way.
=a camisa=, shirt.
=o campo=, field, plain.
=cançar=, to tire, weary.
=o cannavial=, cane field.
=cansado=, _see_ =cançar=.
=cantar=, to sing.
=o canto=, corner; song.
=o cantor=, singer.
=a cantora=, songstress.
=o cão=, dog.
=o capanga=, hired assassin.
=capaz=, capable, § 139_a_.
=a capela=, chapel.
CAPITAL LETTERS, § 12.
=o capital=, principal; _f._, capital (city), § 31.
=o capitalista=, capitalist.
=o capitão=, captain.
=caprichoso=, erratic, whimsical.
=o caracter=, character, handwriting.
=o cardeal=, cardinal.
=carecer=, to need, require.
=a caridade=, charity.
=o carinho=, kindness, affection.
=a carne=, meat, flesh.
=caro=, dear, expensive.
=carregado=, heavy, loaded.
=o carro=, cart, wagon, carriage.
=a carta=, letter.
=a casa=, house.
=a casaca=, (long) coat.
=o casamento=, marriage.
=casar=, to marry.
=o caso=, case.
=a categoria=, list, category.
=a cathedral=, cathedral.
=caudal=, mighty.
=a causa=, cause, reason, case (_law_).
=o cavalheiro=, knight, noble-man;
_adj._, noble, gentleman-like.
=o cavalleiro=, horseman, cavalier, gentleman.
=a cavallo=, horse.
=caxoeira=, _see_ =cachoeira=.
=cear=, to sup.
=cedo=, early.
=cego=, blind, § 139_a_.
=a ceia=, supper.
=celebre=, celebrated, § 143.
=celestial=, heavenly.
=cem=, one hundred.
=o cemiterio=, cemetery.
=os centenares=, hundreds.
=o centesimo=, hundredth.
=cento=, hundred, p. 50.
=o ceo=, heaven.
=cerca=, about, § 144.
=o cercado=, enclosure.
=cercar=, to encircle, surround, enclose, § 124_c_, 143.
=cerrar=, to close.
=a certeza=, certainty.
=certo=, sure, certain, § 51, 100_f_.
=cerúleo=, cerulean, bluish, azure.
=cessar=, to cease, § 122_e_, 123_f_.
=o chá=, tea.
=a chaleira=, tea-kettle.
=chamar=, to call.
=chão=, _adj._, plain.
=o chão=, ground.
=o chapeo=, hat.
=o charco=, mud, puddle.
=a chave=, key.
=o chefe=, chief.
=chegar=, to arrive, suffice, § 122_c_.
=cheio=, full.
=o chicote=, (riding) whip.
=a chinela=, slipper.
=chorar=, to weep, cry.
=chover=, to rain.
=christão=, Christian.
=a chuva=, rain.
=a cidadão=, citizen.
=a cidade=, city.
=cimentar=, to cement.
=cinco=, five, § 55.
=cincoenta=, fifty.
=a cinza=, ashes.
=a cithara=, cithern, lute.
=o ciume=, jealousy.
=civíl=, civil.
=a civilisação=, civilization.
=civilisado=, civilized.
=claro=, clear.
=classificar=, to classify.
=o clima=, climate.
=a cobardia=, cowardice.
=coberto=, covered.
=cobiçar=, _see_ =cubiçar=.
=a cobra=, snake, § 26_c_.
=cobrir=, to cover, § 124_c_.
=o coco=, coconut.
=a coisa=, _see_ =cousa=.
=coitado=, poor (fellow) (_term of endearment or pity_), § 146.
=a colera=, wrath.
=a colher=, spoon;
_v._, to collect, gather.
=o collarinho=, collar.
=a collecção=, collection.
=o collega=, colleague.
=a colonia=, colony.
=com=, with, § 122_d_, 142.
=combinar=, to combine, arrange.
=começar=, to begin, § 123_e_, _f_.
=comer=, to eat.
=comigo=, _see_ =commigo=.
=o commendador=, commander.
=commigo=, with me, § 65_c_.
=commodo=, convenient, handy.
COMMON TERMINATIONS of m. and f. nouns, § 27.
=commun=, common.
=communicavel=, communicable.
=comnosco=, with us, § 65_c_.
=como=, _adv._, how, as, § 131.
=a compaixão=, compassion.
=a companhia=, company.
=a comparação=, comparison.
=comparar=, to compare.
COMPARISONS, § 42-45.
=completamente=, completely.
=completo=, complete, whole.
COMPOUND PLURALS, § 22.
=comprar=, to buy.
=comprido=, long.
=comsigo=, with himself, by himself, etc., § 67.
=comtigo=, with thee, § 65_c_.
=concavo=, concave.
=conceder=, to concede, grant.
=o concilio=, council.
=o conde=, count.
=a condição=, condition.
CONDITIONAL ENDINGS AND MEANINGS, § 106, 107.
=a confiança=, confidence.
=conforme=, according as.
=confranger-se=, to shrink.
=conhecer=, to know, be acquainted with, § 143.
CONJUNCTIONS, § 145.
=a conquista=, conquest.
=consagrado=, consecrated.
=o conselheiro=, counselor.
=o conselho=, council, advice.
=a consequencia=, consequence.
=conservar=, to preserve.
=considerar=, to consider.
=consolar=, to console, comfort.
=consomir=, _see_ =consumir=.
CONSONANTS, § 5.
=constituir=, to constitute.
=o consul=, consul, § 20. 4.
=consumir=, to consume.
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A brief grammar of the Portuguese language with exercises and vocabulariesChapter VIII: The Indeclinables (2)
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